25/10/2016

Análise da Inteligência de Cristo - Série

Eu não gosto muito de ler Augusto Cury -embora tenha lido pouquíssimos livros e o considere, sim, um bom escritor e psiquiatra- porque acho que ele ''enfeita demais'' a narrativa, tornando-a irreal e sem a naturalidade necessária para que possamos mergulhar no enredo genuinamente. MAS, acho que isso se aplica especialmente a suas obras ficcionais, portanto os livros de estudos psicológicos sobre figuras reais (como os dessa resenha) ficam além do tolerável. Dá pra ler.
Digo ''além do tolerável'' porque, de fato, amei essa série -que chegou até mim porque minha mãe comprou o box há anos, mas só agora eu li (e fui a única da família a ler todos, diga-se de passagem -shame on you, mom).

''Por ser um psiquiatra, um pesquisador da mente humana, e por ter sido um dos mais ardentes ateus que já pisaram nesta terra, estudar os enigmas da mente de Jesus Cristo foi e ainda é para mim um projeto espetacular.''

Assim, logo na segunda página, adentramos no universo real desse quinteto de livros:

1. O Mestre dos Mestres
2. O Mestre da Sensibilidade
3. O Mestre da Vida
4. O Mestre do Amor
5. O Mestre Inesquecível


Em cada volume se aborda um aspecto essencial da personalidade de Cristo, que no conjunto da obra nota-se configurarem a totalidade dessa figura tão marcante de maneira a estabelecer uma extrema conexão entre si; as características se interligam plenamente, sustentando umas às outras.
Cury tenta abordar o assunto de maneira lógica, sem ''entrar na esfera da fé'', frase que ele incessantemente repete, para que este seja um estudo concreto dessa figura tão famosa na humanidade que possa ser levado em consideração por todos, crentes e ateus, cristãos ou membros de outras religiões, sem restrições -sempre permeado por referências bíblicas para que o leitor possa consultar na Bíblia a informação. CLARO que, vez ou outra, tratando-se dessa pessoa em especial, Jesus, seus milagres e grandes -embora sempre humildes- ''feitos'' são mencionados, mas o enfoque total da coleção são as >atitudes< do Mestre, as quais não exigem um reconhecimento na fé, e sim nos fatos registrados até mesmo em livros e documentos históricos.
O homem Jesus, através de estudos das escrituras bíblicas que o autor empreendeu, é explorado inteiramente, quase todas as facetas de sua personalidade são esmiuçadas num conjunto de livros que ao todo configuram 880 páginas. E as pessoas que o acompanharam não fogem dessa análise -o quinto livro é especialmente relacionado a seus discípulos.
Não há muito como eu me estender narrando especificamente todo o conteúdo da personalidade de Cristo, pois numa resenha eu obviamente não conseguiria abranger sua totalidade, então além dessas informações básicas, me limitarei a relatar o que a obra deixou em mim, quais foram suas marcas na minha pessoa; livros que não nos deixam marcados não devem ser lidos. 
Os livros me tocaram muito, nossa. Achei incrível ver o quão pouco eu conhecia desse cara com quem vivi e que conheço desde criança, incrível ver o quão limitada era minha visão acerca de Jesus. Eu o conhecia de maneira muito vaga, e Jesus não é o tipo de personalidade desinteressante passível de ser conhecida de maneira vaga; ele é o tipo de pessoa que deve ser estudada, destrinchada, abordada através de todos os ângulos.
Ele é incrível, sua personalidade é de uma inteligência que vai além da lógica humana, transcende o fascínio. Jesus surpreendeu os personagens, até mesmo os mais coadjuvantes e secundários, de sua história, e suas atitudes foram contra as expectativas de todos. Quando esperavam que ele falasse, ele calava; quando esperavam que ele repreendesse, ele acalentava; quando esperavam que fosse o mais imponente dos homens, ele foi o mais simples; quando esperavam que ele fosse um líder supremo, ele baixava a cabeça, lavava os pés de seus discípulos e se fazia servo deles. Era um apreciador da vida em suas formas mais simples (''olhai os lírios do campo'') e humildes, mas tinha uma sabedoria e conhecimento dignos de reis e imperadores. Jesus era um filósofo no sentido mais puro da palavra, viveu a psicologia humana antes de Freud sonhar em imaginá-la, e esse é um dos aprendizados essenciais dos livros: a psicologia de Cristo. Devemos atentar a ela. Os quatro Evangelhos transbordam lições e aprendizados de vida, sabedoria emocional e psíquica. Eles precisam ser estudados. Jesus precisa ser estudado.

''Graças à sua intrigante e instigante inteligência, Cristo provavelmente foi o maior causador de insônia em sua época.''

Augusto Cury tocou nesse ponto de uma maneira que mesmo eu, há 18 anos cristã, nunca tinha parado pra prestar atenção: por que Cristo e toda sua filosofia e psicologia não é levado em consideração nos meios/centros/ambientes de estudo? Por que não configura entre os filósofos se seu ensinamentos contém sabedoria inegável -e apreciada, abordada e empreendida até mesmo por vários desses nomes da filosofia? Por que seus ensinamentos não são mais explorados dentro da psicologia, se obviamente procedem, em sabedoria e em milênios, os primeiros psicólogos?
Seria por sua imagem atrelada à religiosidade (embora muitos, aparentemente, ignorem o fato de que suas maiores críticas e adversões foram dirigidas aos religiosos de sua época) e espiritualismo, e isso, de certa forma, ir contra os ideais laicos de grande parte das instituições de ensino? Não pode ser isso, vários filósofos e psiquiatras defenderam e propagaram posturas espirituais em seus estudos e ensino.
Por quê, então? Por que os ensinamentos de Cristo -e falo aqui de seus ensinamentos psicológicos, sem apelar, em nenhum momento, à fé e religiosidade- são tão renegados nesse cenário? Não sei, e não ficarei gerando especulações aqui porque tomar algum ''partido'' não é meu objetivo nessa resenha. Mas esse é um bom assunto no qual pensar.
Fato é que, por fechar os olhos pra o que viveu esse que foi o maior dos mestres, trouxe-se grandes prejuízos e perdas às ciências humanas.
Mas enfim, mudando o foco, outra coisa interessante de saber é a tragetória dos discípulos após a morte do Mestre, isso é abordado no último livro. Que fim levaram aqueles que por três anos contínuos beberam direto da fonte da sabedoria de Cristo? Esqueceram seus ensinamentos, mudaram seus caminhos e trilharam uma vida que seguia longe de tudo aquilo que o Mestre os fez viver? Suas histórias depois de Cristo dizem muito sobre quem Ele foi na vida daqueles com quem conviveu.
Por fim, direi que esses livros agiram em mim, como cristã, como um regozijo intenso por meu amor por Jesus; amei tanto, tanto, poder ler sobre ele, conhecê-lo mais de pertinho e com maior intimidade. Por várias vezes eu comecei a chorar durante a leitura, não por ler algo triste ou arrasador, mas por me sentir tocada por esse que foi Jesus. Eu lia uns trechos simples sobre coisas simples que ele fez ou disse, e aquilo me soava tão bonito, tão único, que eu simplesmente tinha vontade de chorar porque, ''puxa, Jesus disse mesmo isso? Nossa, ele fez mesmo isso com essas pessoas feridas? Cuidou delas dessa forma? Falou isso para seus próximos que o seguiam até o Calvário?'' Aí eu ia na referência bíblica, via que sim, ele realmente fez/disse isso, e era tão bonito perceber quão bonito e singelo >Ele< foi que eu tinha vontade de chorar. E chorava.
Então é isso, foi importante para mim, como pessoa, ter lido essa coleção, e espero que outros mais façam isso, além dos leitores dos milhões de exemplares já vendidos. 
Simplesmente porque vale a pena, vale muito, muito a pena, conhecer Jesus.

Uma citação:
''Esperavam alguém que os libertasse do jugo romano, mas veio alguém que queria libertar o ser humano de suas misérias psíquicas. Esperavam alguém que fizesse uma revolução exterior, mas veio alguém que propôs uma revolução interior. Esperavam um poderoso político, mas veio alguém que nasceu numa manjedoura, cresceu numa cidade desprezível, Nazaré, e se tornou um carpinteiro, vivendo no anonimato até os trinta anos.''

Nenhum comentário:

Postar um comentário